Portugal com recessão de 2% este ano e de 1,8% em 2012 - BdP

O Banco de Portugal prevê uma quebra no Produto Interno Bruto de 2 por cento este ano e de 1,8 por cento no próximo, revendo em baixa as estimativas de março, antes de Portugal recorrer à ajuda externa.

  • Economia
  • Publicado: 2011-07-12 06:35
  • Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

O Banco de Portugal prevê uma quebra no Produto Interno Bruto de 2 por cento este ano e de 1,8 por cento no próximo, revendo em baixa as estimativas de março, antes de Portugal recorrer à ajuda externa.

"As atuais projeções apontam para uma contração do PIB de 2 por cento em 2011 e de 1,8 por cento em 2012, caracterizada por uma significativa redução da procura interna pública e privada", o que vai "traduzir-se num agravamento do diferencial acumulado de crescimento da economia portuguesa face à área do euro", afirma-se no relatório que analisa a economia portuguesa neste e no próximo ano.

Para o Banco de Portugal, "a necessidade de reforço da consolidação das finanças públicas, assim como de uma gradual desalavancagem do setor privado, incluindo o sistema financeiro, é essencial para assegurar um desenvolvimento equilibrado e sustentado no longo prazo", o que equivale a dizer que "a prossecução estrita do programa de ajustamento económico e financeiro [negociado com a 'troika'] é uma condição essencial do retorno a um clima de confiança e a um enquadramento propício ao crescimento sustentado da economia".

A recessão em 2011 e 2012 é acompanhada de uma "recomposição da despesa, traduzida nomeadamente na redução do peso da procura interna no PIB e no aumento do peso das exportações, já que esta componente deverá manter um crescimento relativamente robusto". Neste contexto, continua a entidade liderada por Carlos Costa, "é de salientar que a economia portuguesa tem sido caracterizada por um peso das exportações no PIB relativamente reduzido, em comparação com outras pequenas economias da área do euro".

A recessão, afirma o Boletim de Verão, "deverá ser generalizada aos setores público e privado". No primeiro, a atividade será condicionada pelo processo de consolidação orçamental, enquanto no setor privado a maior influência será por via da "significativa redução da procura interna", com destaque para a área da Construção, que "deverá manter a tendência de redução que tem vindo a exibir nos últimos anos, em linha, em particular, com a evolução projetada para o investimento em habitação e para o investimento das administrações públicas".

Com a quebra no PIB, as famílias vão também travar a fundo nas despesas: "As projeções apontam para uma redução do consumo privado de 3,8 por cento em 2011 e 2,9 por cento em 2012", explica, acrescentando que, "embora muito acentuada, a queda projetada para o consumo privado encontra-se globalmente em linha com a evolução do rendimento disponível real, sendo consistente com a expectativa de uma redução permanente do rendimento no horizonte de projeção, o que deverá condicionar de forma muito significativa as restrições orçamentais intertemporais das famílias".

As exportações terão, no contexto macroeconómico, o comportamento mais positivo: "As atuais projeções apontam para que as exportações se mantenham como a componente mais dinâmica da procura global, embora em abrandamento, apresentando um crescimento de cerca de 7 por cento no período 2011-2012", o que representa, ainda assim, uma desaceleração face à subida de 8,8 por cento do ano passado.

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