Censos2001: Intervenção autárquica e crise nos têxteis explicam variações na população no distrito Castelo Branco - investigador

As alterações do número de habitantes em Castelo Branco, Fundão e Covilhã, como mostram os dados preliminares do Censos 2011, é explicada pela crise do setor têxtil, afirmou à Lusa um investigador em Desenvolvimento Regional.

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  • Publicado: 2011-06-30
  • Autor: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

As alterações do número de habitantes em Castelo Branco, Fundão e Covilhã, como mostram os dados preliminares do Censos 2011, é explicada pela crise do setor têxtil, afirmou à Lusa um investigador em Desenvolvimento Regional.

Os números revelados hoje mostram que o concelho de Castelo Branco aumentou o seu número de habitantes em cerca de 300, em 10 anos, enquanto que o concelho da Covilhã baixou em 4,8 por cento o seu número de residentes e, no Fundão, a quebra foi de 7,32 por cento.

O investigador em Desenvolvimento Regional e subdiretor da Escola Superior de Educação de Castelo Branco (ESECB), Domingos Santos, indicou duas justificações para estas tendências: intervenção autárquica e a crise do setor têxtil.

"Em Castelo Branco houve uma forte intervenção autárquica que permitiu a captação de novos investimentos, como os call centers e outras empresas, os quais empregam mais de mil pessoas", explicou à Lusa.

Aquele doutorado em Gestão do Território acrescenta que "o tecido produtivo de Castelo Branco é diversificado, com os setores automóvel e do frio a empregarem mais de um milhar de pessoas".

"Na Covilhã e no Fundão, por seu lado, o setor têxtil foi predominante e, nesta última década, perderam-se cerca de quatro mil postos de trabalho", afirmou.

A diminuição do número de habitantes nos restantes concelhos do distrito de Castelo Branco era, no entender de Domingos Santos, natural: "Esses concelhos ao não conseguirem captar e fixar pessoas, ficaram reféns da dinâmica demográfica natural, pois têm mais óbitos que nascimentos".

Em Belmonte houve um decréscimo de 787 habitantes, Idanha-a-Nova viu reduzido o seu número em quase duas mil pessoas enquando que Penamacor baixou de 6658 residentes para 5652.

No Pinhal, Oleiros desceu de 6677 habitantes para 5702. Proença-a-Nova tem agora menos 1347 habitantes (a população é de 8263 habitantes) e na Sertã a quebra foi menor: de 16 mil 720 pessoas passou para 15 mil 927.

Em Vila Velha de Ródão também se registou um decréscimo populacional (de 4098 em 2001 passou para 3579 pessoas).

Vila de Rei acabou por ser uma exceção, o que no entender do especialista poderá "estar relacionado, para além dos incentivos à natalidade promovidos pela autarquia, com existência de vários lares de idosos naquele concelho".

Em Vila de Rei, os 3.354 habitantes registados há 10 anos deram lugar a 3.449 pessoas.

O subdiretor da ESE considera que são necessárias medidas de discriminação positivas para o interior do País.

"Elas vão ser necessárias, para se tentar inverter esta tendência, pois mesmo os concelhos que aumentaram o seu número de habitantes, tiveram um menor crescimento que nos últimos Censos", concluiu.

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