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Região 13 de outubro de 2014

Covilhã: "É um despudor homenagear José Sócrates" - PCP

Por: Diario Digital Castelo Branco

O antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates vai ser homenageado pela Câmara Municipal da Covilhã, que deliberou atribuir-lhe a medalha de ouro de mérito municipal e a chave da cidade mas o PCP local manifesta-se contra esta homenagem.

O antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates vai ser homenageado pela Câmara Municipal da Covilhã, que deliberou atribuir-lhe a medalha de ouro de mérito municipal e a chave da cidade mas o PCP local manifesta-se contra esta homenagem.

Vítor Pereira (PS) esclareceu que a deliberação foi aprovada por unanimidade em reunião de executivo e que as insígnias serão atribuídas no âmbito das comemorações do dia da cidade, a 20 de outubro.

"É uma distinção mais do que justa pelos esforços que o engenheiro José Sócrates desenvolveu ao longo de toda a carreira política pela defesa da Covilhã. Tenha sido como deputado, secretário de Estado, ministro ou primeiro-ministro, pugnou sempre pela Covilhã, pela Cova da Beira e pela região", sublinhou.

A Comissão Politica do PCP da Covilhã em comunicado enviado à redação do Diário Digital Castelo Branco declara, “Chega, uma vez mais, o momento de homenagem ao concelho, à cidade e às suas gentes. Solenemente. Isto é, com seriedade, dignidade, elevação e intensidade.

O executivo da Câmara Municipal da Covilhã (PS) decidiu por maioria, não tendo o vereador da CDU participado na votação, levar à prática uma decisão tomada no executivo PSD (Carlos Pinto) de homenagear José Sócrates juntamente com um conjunto de personalidades que se destacam ou destacaram na vida do Concelho.

Sendo perfeitamente legítimo o executivo da Câmara Municipal homenagear personalidades que considere merecedoras desta distinção, por de alguma forma, terem com a sua ação contribuído, para o progresso, prestígio e dignificação do concelho, da cidade e da população, não poderemos, contudo, ficar indiferentes quanto à renovada vontade de atribuir mérito e honra a José Sócrates. O PCP, não pode deixar de expressar a sua veemente oposição à homenagem a José Sócrates com a medalha de ouro e a chave da cidade.

A chave da cidade a quem foi responsável por políticas que promoveram a desertificação e o empobrecimento do interior, nomeadamente do concelho e do distrito é um ato, no mínimo, indecoroso.” afirma o comunicado

 “Entre 2004 e 2009 o distrito de Castelo Branco perdeu 4% da sua população (cerca de 8 mil habitantes).

O PIB por habitante manteve-se inferior à média nacional, não chegando aos 90%.

O poder de compra do distrito, na esmagadora maioria dos concelhos variou entre os 50 e os 63 pontos. O distrito representou apenas 1,5% do poder de compra nacional, abaixo do peso da população do distrito no país (1,8%).

A desindustrialização acentuou-se, encerraram e destruíram empresas que levaram à perda de 7,7% dos postos de trabalho.

Quanto aos salários e pensões, a remuneração base média mensal era de 681 euros, mas uma grande parte dos trabalhadores apenas auferia o correspondente ao SMN. Só Bragança e Guarda estavam abaixo do distrito de Castelo Branco.

A precariedade elevadíssima (26% em 2008) atingindo particularmente os jovens com menos de 35 anos (38,8%), que eram mais de metade do total dos trabalhadores precários. Nessa altura, o número de contratos a prazo aumentou 26% relativamente a 2004.

Os centros de emprego tinham cerca de 11 mil desempregados inscritos.

As mulheres foram, tal como hoje, as mais duramente atingidas pelo desemprego (55% dos desempregados do distrito).

O número de desempregados de longa duração aumentou 22% em 2009, cerca de 41% no total do desemprego do distrito.

Em dezembro de 2010 apenas 48% dos desempregados do distrito de Castelo Branco tinham acesso a uma prestação de desemprego, mais de 5000 não recebia qualquer apoio.

A par deste drama económico e social os serviços públicos continuaram a ser alvo de políticas que os desqualificaram e os encerraram: degradaram-se e desapareceram escolas, extensões de saúde, postos de correio e GNR.

Entre 2005 e 2008 as transferências para os municípios foram insuficientes e chegaram mesmo a estagnar em 2007 e 2008.

Este foi o distrito (e o concelho) que José Sócrates deixou atrás de si. Um distrito com futuro comprometido. Um concelho a agoniar, uma cidade em apneia.

Mas José Sócrates foi também o responsável pelos PEC e pelas ofensivas brutais contra os direitos laborais. Desmantelou e atacou brutalmente a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde e as carreiras e retirou o abono de família a milhares de crianças, levou ao retrocesso social, às privatizações e à preparação de vários sectores estratégicos, como a água e os resíduos, para entregar ao sector privado.

Foi no Governo de José Sócrates que se deu início à introdução de portagens nas SCUT’s (A23 e A25) e do projecto para extinção de milhares de freguesias.

Foi corresponsável pelo pacto de agressão assinado com a troika, que nos trouxe a miséria e o retrocesso, mudando radicalmente a vida dos portugueses... nunca o futuro dos portugueses (e das gerações vindouras) esteve tão obscuro como agora. E estes efeitos foram ainda mais devastadores nos distritos e concelhos do interior, como é o caso da Covilhã.

É um despudor homenagear Sócrates no concelho da Covilhã. A chave que o executivo PSD (Carlos Pinto) decidiu e que agora (PS) pretende dar a Sócrates, não só não consegue abrir a porta que ele encerrou ao interior, como pretende branquear as políticas que representa e que protagonizou. Concluiu o comunicado enviado à redação do Diário Digital Castelo Branco.

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