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Região 26 de abril de 2014

Castelo Branco: Assembleia Municipal comemorativa do 25 de abril acompanhada por muitos populares

Por: Cristina Valente

A sessão da assembleia municipal, comemorativa do 25 de abril, foi  acompanhada por muitos populares.

 

A sessão da assembleia municipal, comemorativa do 25 de abril, foi  acompanhada por muitos populares.

Durante a cerimónia onde o vermelho predominava na sala, não só nos cravos nas lapelas ou nas mãos das senhoras, mas também nas gravatas e na roupa, usaram da palavra os representantes dos vários partidos com assento na Assembleia Municipal, o presidente do órgão, Valter Lemos e o autarca Luís Correia.

Valter Lemos, Presidente da Assembleia Municipal, recordou na sua intervenção algumas das mudanças da sociedade pós 25 de Abril.

 40 anos depois da revolução dos cravos, diz Valter Lemos, os Portugueses não estão satisfeitos com a qualidade da democracia, “cada vez menos os atores e os partidos políticos são capazes de corresponder às expectativas dos cidadãos”

Para o presidente da AM a recente crise que temos vivido acentuou o desencanto dos portugueses, é por isso que Valter Lemos considera importante fazer apelo ao 25 de abril e às expectativas que ele abriu.

Para Luís Barroso, do Bloco de Esquerda (BE) a alternância no poder durante estes 40 anos pós 25 de Abril tem contribuído para descaracterizar e desvalorizar o espírito e os valores de abril, “transformando-o num mero acontecimento histórico, despejado de simbolismo, que nos tem conduzido a uma democracia pobre, desigual e injusta…”

O deputado bloquista lembrou e prestou homenagem aos cidadãos albicastrenses, ainda vivos que antes de abril de 74 e na clandestinidade lutaram contra a ditadura, fascismo, foram perseguidos, presos e torturados pela PIDE.

António Silva Santos afirma que só o reconhecimento dos direitos sociais poderá contribuir para modificar o estatuto dos grupos mais vulneráveis à exclusão social.

Para o deputado do CDS-PP é fundamental criar no poder local um sistema de responsabilidade social corporativa, “pois ser socialmente responsável não se restringe ao cumprimento da lei. Ser socialmente responsável é ir além da lei”. António Silva Santos diz que os próximos anos exigem de todos uma verdadeira sensibilidade social, “Portugal precisa de um estado mais eficiente, mais justo, mais eficaz”.

Para a deputada do PCP, Ana Maria Leitão, o “fosso em que o país se encontra” foi cavado pelo PS, PSD e PP.

A deputada da CDU, aproveitou a história dos Barrigas e dos Magriços, um conto de Álvaro Cunhal, para  recordar o porquê do 25 de abril de 74.

Com uma história para crianças, Ana Maria Leitão, recordou a história do país.

E no final do conto prestou homenagem a Álvaro Cunhal e aos comunistas.

Álvaro Batista, representante do PSD  lembrou as conquistas de abril, as que foram conseguidas, e as que não foram. “São muitas as conquistas de abril, umas melhor conseguidas outras redondamente falhadas”.

Para o deputado social-democrata alguns dos que participaram no 25 de abril de 74, defendem agora uma outra revolução, “desta vez contra o que eles não gostam na democracia, para instituir não se sabe o quê”.

O partido socialista pela voz do deputado Joaquim Martins, recordou a primeira manifestação/comício feita em Castelo Branco após a revolução dos cravos.

A 27 de abril, os albicastrenses saíram para a rua para ouvir os opositores ao regime, e puderam pela primeira vez ouvir-se palavras ditas em liberdade.

Joaquim Martins lembrou Albino Pina e Manuel João Viera, dois dos intervenientes nesse comício.

Manuel João Vieira, recentemente falecido, viria a ser um dos deputados constituintes eleito no ano de 75, e um dos responsáveis pelo capitulo da Constituição referente aos tribunais e à justiça. “Lembrá-lo hoje aqui é também uma forma de homenagear os outros lutadores que, na oposição, clandestinamente e com sacrifício, ajudaram a preparar o 25 de abril”.

Joaquim Martins considerou o poder local, como uma das grandes realizações do 25 de abril.

Também Luís Correia, autarca albicastrense, considerou na sua intervenção o poder local como o “maior feito do 25 de abril”.

“A ação das autarquias tem sido ao longo destes 40 anos o rosto visível do Estado e dos Governos junto das populações” afirmou Luís Correia.

Por isso, acrescenta o autarca, “é difícil perceber e aceitar a forma como atualmente é tratado o poder local” e considerou “inconcebível” o relacionamento da administração central com as autarquias, “não atender aos compromissos com as autarquias é negar abril”.

Luís Correia exemplificou com a situação que se vive no sector dos resíduos, para onde os municípios aceitaram transferir competências para empresas publicas, constituídas pelo Estado e as Autarquias, na convicção de que “tratando-se de um serviço básico, seria mantido na esfera da administração pública” agora, acrescenta o autarca, os municípios são surpreendidos com a privatização do sistema, desvalorizando-se o sector publico, “uma desvalorização incompreensível, com desrespeito para com os municípios e para com os princípios orientadores que presidiram à criação das empresas”.

O autarca terminou com uma palavra de esperança, “com realismo e com a certeza do caminho que queremos trilhar”.

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