Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
As “regras” do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, sigla em inglês), um fundo de resgate provisório criado em 2010 para acudir países da Zona Euro em dificuldade, na sequência da “crise grega” - que será substituído em meados de 2013 por um mecanismo permanente -, preveem que o processo para a sua ativação deve ser desencadeado em sede do Eurogrupo, a reunião de ministros das Finanças da Zona Euro.
O início do processo é assim político, com um país a apresentar aos seus parceiros do espaço monetário único o pedido de ajuda, sendo que essa solicitação será depois também analisada pelos restantes 10 países da União Europeia (Ecofin, a reunião de ministros das Finanças dos 27), uma vez que o EFSF faz parte de uma “rede” mais alargada, o mecanismo europeu de estabilização financeira (EFSM), que integra fundos da Comissão, garantidos pelo orçamento comunitário.
Com o aval político dos ministros das Finanças europeus, que, por exemplo, no caso da Irlanda, o único país para já a recorrer ao fundo de resgate, foi imediato – levou um dia, em dezembro passado -, uma missão da Comissão, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional (FMI) desloca-se ao país em causa, para avaliar a situação e discutir com as autoridades nacionais as reformas estruturais e medidas de austeridade necessárias.
Fontes comunitárias indicaram à agência Lusa que essa visita pode levar “entre duas a três semanas”, e, uma vez elaborado um plano, o processo volta a transitar para os órgãos políticos, ou seja, regressa ao Eurogrupo e ao Ecofin, para receber o aval dos ministros das Finanças europeus.
Uma vez avalizado o plano, tem então lugar a assinatura de um memorando de entendimento, e só então "entra em ação" o EFSF, o fundo dotado com 440 mil milhões de euros em garantias, dos Estados-membros da Zona Euro, e complementado com linhas de crédito da UE e do FMI, para atingir um total de 750 mil milhões de euros.
Contactada hoje pela Lusa, a presidência do Eurogrupo indicou que cabe às autoridades portuguesas decidir quem é competente para pedir uma eventual ativação do fundo de resgate, sublinhando todavia que Lisboa tem de decidir se quer ou não ajuda, pois o fundo "não pode ser imposto".
Guy Schuller, porta-voz do presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, escusou-se a comentar o atual debate político em Portugal sobre a legitimidade do atual Governo de gestão para pedir ajuda externa, alegando não conhecer a constituição portuguesa, mas sublinhou que o pedido terá sempre de partir das autoridades portuguesas, e em sede do Eurogrupo, a reunião de ministros das Finanças da Zona Euro.
Já o porta-voz do comissário europeu dos Assuntos Económicos explicou que um eventual pedido de ajuda que Portugal venha a fazer pode ser apresentado por um governo de gestão desde que tenha um “mandato” nesse sentido.
“Se o Governo [português] tem esse mandato pode fazê-lo”, disse à Agência Lusa em Bruxelas Amadeu Altafaj Tardio, porta-voz do comissário Olli Rehn.
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