Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Desde o início da crise política em Portugal e perante rumores de um possível resgate económico, os principais responsáveis políticos em Espanha têm-se unido numa mensagem clara, que defende as diferenças atuais entre as duas economias ibéricas.
Publicamente, nos últimos dias, vários responsáveis insistem que Espanha está hoje mais capaz de aguentar a instabilidade económica, com menos pressão sobre a dívida pública e alguma melhoria na perceção dos mercados.
A maioria refere, por exemplo, que o risco da dívida espanhola não foi muito penalizado pela crise em Portugal – apesar da exposição da banca espanhola à dívida portuguesa – e que as reformas em curso em Espanha estão a satisfazer os mercados.
Muitos dos responsáveis dos bancos com grande exposição em Portugal ainda não comentaram a situação, ainda que no sábado – num encontro com o primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero – tenham afirmado que Espanha tem hoje “mais confiança dos mercados”.
Na segunda-feira, José Oliu, presidente do Banco Sabadell, disse aos jornalistas que a confiança internacional em Espanha “mudou” e que a distância face aos restantes países periféricos “é maior”.
Também María Dolores Dancausa, administradora delegada de Bankinter, se refere às diferenças, considerando que “Espanha pode ter dificuldades pontuais de liquidez, mas tem um risco de insolvência baixo”.
José Antonio Herce, da AFI, também considera que “os mercados não estão tão nervosos relativamente a Espanha” com a cotação dos títulos do tesouro a melhorar e o défice público a registar melhores comportamentos.
Tendo em conta o comportamento dos mercados desde dezembro, "Espanha está a descolar-se do grupo dos países em pior situação”, considerou também Angel Laborda, diretor do gabinete de conjuntura da Funcas.
Francisco Román, presidente e CEO de Vodafone Espanha, também considerou que “a crise em Portugal, em princípio, não deve afetar” Espanha com “muitos setores a ajudarem na recuperação económica” do país.
Citado pelo jornal El Economista, o responsável da empresa espanhola Indra em Portugal, Horácio Sabino, antevê algumas melhorias no setor privado este ano, ainda que a pressão de menos gastos do Estado “se continue a sentir”.
O recém-empossado novo diretor do Instituto de Estudos Económicos, Gregório Izquierdo, também considera que apesar de Espanha “poder ter os mesmos problemas que Portugal” avançou já “com algumas reformas cruciais.
“A minha opinião é que não haverá contágio, porque Espanha já demonstrou no passado ter uma economia muito mais competitiva e com mais capacidade de recuperação que a portuguesa”, afirmou por seu lado Joaquim Hierro Lopes, diretor general de GED Portugal-España.
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