Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O reitor da Universidade da Beira Interior (UBI), António Fidalgo, defende que a verba de 2,5%, que o Governo mantém cativa, deveria ser disponibilizada como forma de minimizar os problemas financeiros de algumas instituições de ensino superior.
O reitor da Universidade da Beira Interior (UBI), António Fidalgo, defende que a verba de 2,5%, que o Governo mantém cativa, deveria ser disponibilizada como forma de minimizar os problemas financeiros de algumas instituições de ensino superior.
"No nosso caso, essa verba corresponde a 500 mil euros, o que dava para fazer face às despesas não previstas com o 14.º mês, provocadas pelo chumbo do Tribunal Constitucional. Esse ‘imprevisto’ deixa-nos uma diferença de 450 mil euros relativamente à verba que nos foi transferida", disse o reitor em declarações aos jornalistas, à margem da sessão solene de abertura do ano letivo.
António Fidalgo considera que "essa descativação" seria uma medida de "justiça", tendo em conta que não foi imposta às fundações que têm universidades.
"As universidades mais ricas que são as fundações não têm essa cativação, ao passo que nós, no interior, temos de viver sem essa verba, que seria uma ajuda fundamental", referiu.
O reitor explicou ainda que, para não fechar as contas com défice, a UBI terá de transferir dinheiro de outros setores de atividade e que não concretizará algumas das obras de manutenção dos edifícios que estavam previstas.
"Vamos ter de arrebanhar por todos os lados", apontou.
Para 2014, o cenário também não será mais positivo, já que, de acordo com a informação hoje transmitida ao reitor, haverá ainda mais cortes, no próximo Orçamento do Estado.
"Felizmente os cortes não são no montante que se chegou a temer, mas eles existirão e é claro que isso me deixa preocupado", disse, sem querer especificar de quanto será esse corte.
Apesar da apreensão, António Fidalgo fez, todavia, questão de afastar a ideia de uma eventual rutura financeira.
"Ainda não estamos nesse ponto. Temos contas certas e o nosso orçamento tem cerca de 40% de receitas próprias, mas claro que isso não é suficiente e haverá consequências práticas, desde logo na contratação de pessoas que substituam os que se reformam", assumiu.
Durante a sessão solene o reitor fez um discurso muito virado para docentes e alunos e recordou que "a dimensão humana" das relações existentes na UBI podem ser uma mais-valia na conquista de novos alunos.
"Uma sábia exploração dessa característica tornar-se-á uma marca distintiva e uma vantagem face às universidades maiores dos centros urbanos, onde é muito mais fácil estabelecer relações personalizadas", disse.
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