Empresários criam movimento “pela Subsistência do Interior” contra as portagens na A 23 e A 25

Dez empresários dos distritos de Castelo Branco e Guarda criaram um movimento que pretende convencer o Governo a abandonar a introdução de portagens nas autoestradas SCUT.

O movimento vai ser apresentado hoje às 19 horas, na cidade da Covilhã.

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  • Publicado: 2011-02-03 13:11
  • Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Dez empresários dos distritos de Castelo Branco e Guarda criaram um movimento que pretende convencer o Governo a abandonar a introdução de portagens nas autoestradas SCUT.

O movimento “Empresários pela Subsistência do Interior” vai ser apresentado esta  quinta-feira, na Covilhã, e contesta a introdução de portagens na A23 (Guarda - Torres Novas) e A25 (Aveiro - Vilar Formoso).

“As portagens resumem-se a três D: desemprego, desinvestimento e desertificação. São três palavras que podem ser a ruína de muitas empresas”, disse à agência Lusa o empresário hoteleiro Luís Veiga.Há empresas no ramo da distribuição alimentar “para as quais as portagens vão representar um custo acrescido de 120 mil euros ao fim do ano”, exemplificou.

As empresas que não puderem refletir as portagens no preço final dos produtos ou serviços, “vão ter que despedir, tal como já várias preveem fazer”, alertou Veiga.O movimento está a preparar “um documento para sensibilizar o Governo e o PSD, que, ao fim ao cabo, esteve na decisão das portagens”.Luís Veiga realça que as assimetrias regionais que justificaram a isenção de portagens se mantêm.

“A riqueza por habitante [PIB per capita] na Serra da Estrela é metade da média nacional”, destacou, citando as contas regionais divulgadas em janeiro pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Acredita por isso que é possível demover o Governo de José Sócrates e o PSD antes de 15 de abril, data prevista para o início da cobrança de portagens.“A decisão foi politicamente precipitada. Penso que, com a expressão dos números que vamos apresentar, que são alarmantes, vai ser possível reavaliar a decisão”, concluiu.

O movimento pretende que o Governo “chegue à conclusão de que não há lugar a portagens ou adie a decisão”.

Questionado sobre o surgimento tardio do movimento de empresários, Luís Veiga refere que “nunca é tarde: o movimento surgiu de forma espontânea, à medida que houve uma consciencialização dos prejuízos”. O empresário lidera um grupo hoteleiro com unidades nos concelhos da Covilhã e Guarda e teme que as portagens provoquem uma quebra de turismo espanhol.

“Temos trabalhado o mercado entre Madrid e a fronteira, mas tememos uma queda, semelhante à perda de 25 por cento que já aconteceu no Minho”, concluiu. Até final do mês, o movimento prevê ter um documento final que permita “abordar as forças políticas de forma concreta e demonstrar com números que as portagens serão a ruína de muitas empresas na Beira Interior”, concluiu.

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