Por: Diario Digital Castelo Branco
Na conferência “Que futuro para Portugal na Europa do futuro”, que se realizou na passada sexta-feira em Proença-a-Nova, António Vitorino defendeu o “alívio da austeridade” que considera uma “dose cavalar” sobre a economia real e impede o crescimento económico.
Para relançar o crescimento económico, António Vitorino defendeu o “alívio da austeridade” e, no plano europeu, um reforço de políticas comuns que passa pela criação de uma união bancária. Na conferência “Que futuro para Portugal na Europa do futuro”, que se realizou sexta-feira em Proença-a-Nova, o presidente do instituto NotreEurope, fundado por Jacques Delors, considerou que a “dose cavalar” de austeridade fere a economia real e impede o crescimento económico.
“A condição para que se pague a dívida é haver crescimento económico. O excesso de austeridade acaba por produzir condições que afetam o crescimento da dívida”, alertou o antigo ministro e comissário europeu, numa sessão participada e com diversas questões levantadas pela assistência. Cuidadoso a sublinhar que não defende políticas expansionistas, mas apenas um “alívio da austeridade”, Vitorino recordou que a dívida pública aumentou de 95% do PIB para 127% desde o início da recessão.
Cerca de 80% do emprego a nível nacional depende das pequenas e médias empresas (PME), a braços com um contexto de redução do financiamento e retração do investimento. Relançar a economia passa, por isso, em larga medida por relançar as PME e António Vitorino sublinhou o papel das autarquias na atração de emprego, defendendo ser necessária uma boa articulação entre autarquias e empresas. Em vésperas da entrada em vigor de um novo quadro comunitário, outro alerta foi para a “necessidade de aplicação inteligente de fundos estruturais”.
Afirmando que “combater o desemprego é simultaneamente uma emergência social e uma emergência económica”, recordou que, por serem “os serviços mais próximos das dificuldades quotidianas das pessoas”, as câmaras têm um papel relevante no apoio social, dando como exemplo o sistema escolar.
Face a críticas de eurocéticos que defendem a saída da moeda única, António Vitorino analisou o contexto global de concorrência das economias emergentes e considerou que Portugal estará mais preparado para a enfrentar integrado na União Europeia, já que “a dimensão faz a diferença”. A saída da crise é, sustenta, “também do interesse da Alemanha, que entra em recessão por efeito sistémico no quadro da Europa”.