Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Dezenas de idosos protestaram ontem contra a decisão da Câmara da Covilhã de cortar a água e bloquear com um camião o acesso de viaturas ao recinto municipal do Espaço das Idades. No entanto, o executivo camarário queixa-se de os utentes estarem a ser "instrumentalizados" com fins políticos e de funcionários da autarquia estarem a ser impedidos de entrar em instalações do município.
Dezenas de idosos protestaram hoje contra a decisão da Câmara da Covilhã de cortar a água e bloquear com um camião o acesso de viaturas ao recinto municipal do Espaço das Idades.
No entanto, o executivo camarário queixa-se de os utentes estarem a ser "instrumentalizados" com fins políticos e de funcionários da autarquia estarem a ser impedidos de entrar em instalações do município.
O recinto do Espaço das Idades dá acesso também a habitações particulares, cujos residentes tiveram que "chamar a polícia", no domingo, para que "um funcionário da câmara desviasse o camião" e permitisse a saída de automóveis, relatou uma das moradoras à Lusa.
O pesado identificado com o símbolo da autarquia voltaria depois a bloquear o portão, acrescentou, e ali permanecia hoje de manhã, como constatou a Lusa no local.
A situação foi uma das que provocou intervenções mais exaltadas contra o vereador Paulo Rosa, da Câmara da Covilhã, num encontro que o autarca manteve hoje com dezenas de utentes no Espaço das Idades.
O pavilhão de convívio de idosos funciona há quatro anos e inclui oficinas para ocupação de tempos livres e serviços a preços baixos para os seniores, como um cabeleireiro e outros na área da saúde.
Na última semana, António Rebordão, dinamizador do espaço e adjunto do presidente da Câmara, Carlos Pinto (PSD), aceitou ser transferido pelo autarca para outras funções, mas acabaria por não entregar as chaves do espaço.
Segundo referiu, "o apoio dos utentes" fê-lo mudar de ideias, para além de considerar que estava a ser afastado do cargo "por razões políticas".
Ao lado do ex-adjunto do presidente, Paulo Rosa explicou hoje que, sem receber as chaves, a câmara se viu obrigada a cortar a água, tentar cortar a eletricidade (que continua a ser fornecida) e proteger o espaço.
Aos jornalistas, considerou que os utentes estão a ser "instrumentalizados" e referiu ainda que a situação voltará à normalidade quando Rebordão entregar as chaves.
Ainda segundo o vereador, a câmara pretende alterar o pessoal que dirige o espaço, mas "sem mexer" nos serviços prestados.
Paulo Rosa referiu que a câmara quer legalizar uma cafetaria e outros serviços que, apesar de dirigidos para um público restrito, não estão devidamente regularizados.
António Rebordão confirma que há situações por resolver, mas que "sempre foram do conhecimento da câmara", questionando a oportunidade das mudanças.
Remete ainda qualquer decisão sobre a entrega das chaves para depois de uma reunião da assembleia de freguesia de Santa Maria, à qual preside e que assumiu parte da gestão do espaço através de um protocolo.
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