Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Centenas de pessoas concentraram-se hoje em frente às câmaras da Covilhã e Castelo Branco nas duas manifestações promovidas pelo movimento "Que se lixe a ‘troika'" no distrito albicastrense.
Centenas de pessoas concentraram-se hoje em frente às câmaras da Covilhã e Castelo Branco nas duas manifestações promovidas pelo movimento "Que se lixe a ‘troika'" no distrito albicastrense.
Bernardo e Manuela Amaro, funcionários públicos, ele com 46 e ela com 43 anos, participaram na manifestação com o filho de dois anos e gritaram palavras de ordem: "O Governo faz batota, mas o povo já os topa".
Além do filho que os acompanha, o casal tem mais dois, um rapaz com 13 anos e uma rapariga de 19, que entrou este ano no ensino superior, pelo que as políticas de austeridade os deixam numa situação financeira difícil.
O casal não quer saber se o protesto tem efeitos práticos, "o que importa é que o povo se manifeste", referiram.
A revolução de 25 de abril de 1974 foi das referências mais evocadas, nas conversas, discursos e através das músicas de Zeca Afonso e de cravos como o que Ludovina Tavares trazia na mão.
A enfermeira aposentada, de 57 anos, marcou presença para exprimir "revolta" contra a forma como as atuais políticas "estão a acabar com a dignidade dos cidadãos, conquistada desde o 25 de abril", referiu.
A polícia desviou o trânsito da rua em frente ao edifício dos Paços do Concelho, onde 500 a 600 pessoas se juntaram das 16:00 em diante.
Alguns participantes usaram da palavra, com críticas duras contra o Governo, a ‘troika' e as políticas seguidas, que levaram outros a relatar as dificuldades pessoais em discursos feitos a partir da escadaria da câmara municipal.
Pelo meio, cantou-se a "Grândola, Vila Morena".
"Desde que era miúdo, nos anos 70, que não via tanta gente unida à volta de uma música de Zeca Afonso", sintetizou António Camões, uma das pessoas que usou da palavra.
Pelas 17:20, formou-se um desfile que circulou em volta do centro cívico de Castelo Branco antes de terminar a manifestação.
Tal como no dia de protestos contra a ‘troika' a 15 de setembro de 2012, a cidade voltou hoje a acordar com uma tarja negra com a palavra "Basta" a cobrir parte do castelo.
Na Covilhã, a zona pedonal à entrada da câmara local encheu a partir das 15:00, onde entre 300 a 400 pessoas entoaram palavras de ordem "contra o inconformismo nacional", como se lia nalgumas tarjas.
Eduardo Cavaco, maestro da Banda da Covilhã, trocou a batuta pelo megafone "para lutar pelas bandas e pelos jovens", que as políticas de austeridade deixam em "apuros".
Ao lado, Arlindo Diniz, oficial de justiça aposentado, queixava-se da "injustiça" de lhe ser retirado dinheiro de reforma para o qual descontou ao longo da carreira.
"E se o povo não se mobiliza, parece-me que eles acabam com tudo", acrescentou.
Pelas 16:00, seguiu-se um desfile por algumas ruas do centro da cidade.
O movimento "Que se lixe a ‘troika'" convocou para hoje manifestações em mais de 40 cidades, em Portugal e no estrangeiro para pedir o fim das políticas de austeridade.
Com o lema “Que se lixe a ‘troika’, o povo é quem mais ordena”, a manifestação hoje convocada para dezenas de cidades portuguesas e algumas estrangeiras, que conta com o apoio da CGTP, coincide com a presença da delegação da ‘troika’ (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), em Lisboa, para fazer a sétima avaliação do memorando de entendimento.
As manifestações foram antecedidas por diversos protestos que ocorreram nas últimas semanas, junto de governantes, quase sempre ao som de “Grândola, Vila Morena”.
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