Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O empreiteiro acusado de matar com dois tiros de caçadeira a presidente da junta de Segura e o marido desta, a 12 de junho de 2012, disse hoje que só se lembra de assassinar a autarca.
O empreiteiro acusado de matar com dois tiros de caçadeira a presidente da junta de Segura e o marido desta, a 12 de junho de 2012, disse hoje que só se lembra de assassinar a autarca.
José Torres falava no início do julgamento no Tribunal de Idanha-a-Nova, em que responde por dois crimes de homicídio qualificado e por posse de arma proibida.
O arguido relatou como pegou na arma do crime e disparou contra Lurdes Sobreiro, num gabinete, quando a autarca estava sentada à secretária, mas disse que não se lembra de ter disparado sobre o marido, que estava de pé, ao lado dela.
"Se lá estava [o corpo], fui eu", reconheceu, recordando uma conversa posterior com um inspetor da Polícia Judiciária, mas mantendo a sua posição: "Eu não o vi".
"Ela fez-me a vida negra", referiu o arguido por mais que uma vez, na sessão de hoje, acusando Lurdes Sobreiro de lhe ter arruinado a atividade profissional (que terminou em dezembro de 2011), ao aplicar contraordenações por despejo ilegal de resíduos de construção, mas fechar os olhos a outros.
As vítimas mortais eram padrinhos de batismo da neta, mas José Torres diz que a situação mudou nas eleições autárquicas de 2009, por divergências políticas, que terão condicionado o relacionamento pessoal e profissional daí em diante.
No dia do crime, o arguido contou que "já não andava bem", devido a "cinco meses sem trabalhar e a passar mal", num período em que chegou "a passar fome" e a ter noites "sem dormir".
Nessa manhã, enquanto passava por um das ruas da aldeia, disse ter sido alvo de risos do marido da autarca e outra pessoa.
Pouco depois, junto a um café, um outro residente terá visto o arguido e perguntado a Lurdes Sobreiro, que estava local, "porque é que não estava preso".
"Saltou-me a tampa" nessa altura, referiu José Torres.
Segundo relata a acusação e como o próprio referiu, dirigiu-se depois à residência de onde levou uma caçadeira semiautomática e dois cartuchos.
Dirigiu-se, depois, no carro do filho, até à sede da junta.
Terá entrado com a arma no gabinete da presidente e disparado sem proferir qualquer palavra, atingindo Lurdes Sobreiro no rosto, pescoço e na mão esquerda, com a qual a autarca ainda se tentou proteger.
A seguir, conta a acusação, José Torres apontou a arma ao marido daquela e premiu novamente o gatilho, atingindo-o no tórax e abdómen.
Ao sair do edifício, terá passado pelo menos por uma pessoa, que o questionou sobre o que passou, mas a quem nada disse, colocando a arma no porta-bagagens do carro para, a seguir, se entregar no posto da GNR de Zebreira.
"Nem sei explicar o que me passou pela cabeça, foi uma coisa tão rápida", referiu hoje, perante o coletivo de três juízas.
José Torres completa 63 anos a 17 de abril, é casado e natural de Colares, Sintra, residindo em Segura há 40 anos.
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