10 de Junho: Cavaco pede justiça nos sacrifícios e diz que sociedade precisa de se rever no rumo da ação política

O Presidente da República defendeu hoje uma repartição justa e equitativa dos sacrifícios, sublinhando que “a coesão nacional exige que a sociedade se reveja no rumo da ação política”.

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  • Publicado: 2010-06-10
  • Autor: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O Presidente da República defendeu hoje uma repartição justa e equitativa dos sacrifícios, sublinhando que “a coesão nacional exige que a sociedade se reveja no rumo da ação política”.

“Um país é feito de pessoas. Por isso, é nos portugueses, em todos eles, que têm de se concentrar as prioridades de uma agenda social e política verdadeiramente orientada pelos valores da justiça e da coesão”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na sessão solene do 10 de junho, que este ano decorreu em Faro.

Sublinhando que é necessário “deixar para trás divisões estéreis e sem sentido” para nos concentrarmos no essencial, Cavaco Silva não escondeu a “situação difícil” que o país atravessa, “um tempo em que muitos portugueses temem pelo seu emprego, em que muitos dos que estão desempregados receiam não voltar a encontrar trabalho, em que os jovens se interrogam sobre o seu futuro”.

“Um tempo em que as famílias fazem contas à vida”, sintetizou.

Contudo, “a coesão nacional tem de ser também coesão social”, salientou.

Lembrando que “desde a primeira hora do seu mandato” tem alertado para a importância de atender às necessidades básicas dos que mais precisam, Cavaco Silva notou a importância da coesão e justiça social, considerando que “os sacrifícios que fazemos têm de ser repartidos de forma equitativa e justa e, mais do que isso, têm de possuir um sentido claro e transparente, que todos compreendam”.

“Não se podem pedir sacrifícios sem se explicar a sua razão de ser, que finalidades e objetivos se perseguem, que destino irá ser dado ao produto daquilo de que abrimos mão. Quanto mais se exigir do povo, mais o povo exigirá dos que o governam”, disse, considerando que a “coesão nacional exige que a sociedade se reveja no rumo da ação política”.

“A cidadania e o poder devem articular-se para conjugar esforços, pois este não é um momento que se compadeça com crispações inúteis”, alertou.

Contudo, avisou, a responsabilidade na procura de entendimentos que evitem ruturas no tecido social não compete apenas aos agentes políticos, sendo nestes “tempos de incerteza” necessário, mais do que nunca, um “contrato social de unidade e de solidariedade entre empresários e trabalhadores”, com todos nas empresas a juntarem esforços, capacidades e competências.

Por outro lado, é também necessário “um pacto de unidade e de solidariedade” entre os que estão empregados e os que perderam o seu emprego, com a rede de segurança social do Estado e das instituições da sociedade civil a constituir a base para a preservação da dignidade dos que procuram emprego.

Portugal tem também de ser um país de “justiça para todas as idades”, não podendo ser os mais velhos e os mais novos, “a suportar os encargos sociais mais pesados das dificuldades do presente”, sustentou.

“A coesão de uma sociedade será seriamente afetada se, de um lado, estiverem aqueles que possuem empregos estáveis, rendimentos assegurados ou regalias garantidas e, do outro lado, se encontrarem aqueles que dispõem de pensões que mal chegam para permitir a sua sobrevivência e aqueles que iniciam as suas carreiras num ambiente de grande incerteza quanto ao que o futuro lhes reserva”, notou.

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