Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Os dois eleitos da CDU na Assembleia Municipal do Fundão alertam para alegadas interferências da gestão da Controlinveste na linha editorial do Jornal do Fundão (JF), do qual é proprietária.
Os dois eleitos da CDU na Assembleia Municipal do Fundão alertam para alegadas interferências da gestão da Controlinveste na linha editorial do Jornal do Fundão (JF), do qual é proprietária.
O diretor do semanário, Fernando Paulouro, anunciou numa cerimónia pública, no dia 15, que vai abandonar o cargo depois de terem existido ingerências do diretor-geral da publicação que colidiram com o estatuto editorial do jornal.
Os eleitos da CDU abordaram hoje o tema durante a reunião da Assembleia Municipal do Fundão.
Catarina Gavinhos alertou para "uma certa tolerância" a nível nacional, para com "a falta de liberdade jornalística, como se em tempos de crise esta fosse um luxo que o povo não pode esperar ter".
A eleita disse ter ficado assustada depois de ler que Fernando Paulouro "se demitiu, não para gozar a sua merecida reforma, mas porque se sentiu pressionado".
Luís Lourenço, outro eleito da CDU, fez um voto de "reconhecimento e apreço" pelo trabalho de Fernando Paulouro e questionou: "quais os interesses que movem a Controlinveste?".
"De quem é ou de quem pode vir a ser a Controlinveste", questionou ainda, perguntando também se a estratégia do grupo passa pela manutenção do Jornal do Fundão.
Luís Lourenço recomenda: "convém estarmos atentos para não acordarmos um dia sem o JF ", recordando que "também a Rádio Jornal do Fundão já fechou", em julho último.
Também Eduardo Saraiva, eleito do PSD, lamentou a saída de Fernando Paulouro, salientando que o JF "sempre pôs em primeiro lugar as pessoas e a nossa terra".
Fernando Paulouro queixou-se no último sábado de nunca ter obtido respostas satisfatórias da administração ao longo "do último ano", "enquanto um chamado diretor-geral colidia com o estatuto editorial do jornal", sublinhou.
Contactado pela agência Lusa, o diretor-geral do título, Vasco Pinto Leite, disse estar "espantado" com as acusações, que refutou.
O Jornal do Fundão foi fundado a 27 de janeiro de 1946 e tornou-se uma referência da imprensa portuguesa ao desafiar a censura e publicar textos de nomes aclamados do panorama cultural do país.
Em 1965 esteve suspenso durante cinco meses e quando voltou a ser publicado ficou sujeito a censura especial por parte do regime.
Foi propriedade da família Paulouro, posteriormente comprado pela Lusomundo, grupo de comunicação social adquirido em 2005 pela Controlinveste.
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