Por: Diário Digital Castelo Branco
“Tintes, Pisões e Râmolas de Sol” é o tema da tertúlia MC2 – Movimentos Culturais Coletivos que irá ter lugar no próximo dia 19 de outubro, pelas 17:00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Covilhã
A iniciativa é promovida pelo Museu da Covilhã e integra a programação dos 840 Anos de História e 156 Anos de Elevação a Cidade da Covilhã.
Nesse sentido, um dos maiores especialistas e referência portuguesa em arqueologia industrial, Jorge Custódio, é o orador convidado da conversa informal dedicada à história dos Lanifícios. A sessão irá abordar o período que antecedeu a industrialização, com especial destaque para as dinâmicas associadas aos tintes, pisões e râmolas de sol.
Durante a tertúlia, que se desenvolve como um momento de reflexão com a comunidade acerca do território da Covilhã, o professor e investigador Jorge Custódio irá ainda partilhar o seu parecer sobre o “Tinte e construções anexas da Travessa do Tinte”, atualmente em processo de classificação com despacho de abertura do procedimento de classificação de âmbito nacional.
A entrada no evento é livre.
JORGE CUSTÓDIO
Natural de Santarém, Jorge Custódio é doutorado pela Universidade de Évora e investigador integrado do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Especialista em Arqueologia e Património Industrial, lecionou estas disciplinas, a par de Museologia, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, entre 2004 e 2014.
Figura incontornável e pioneira da Arqueologia Industrial, o seu percurso confunde-se com o próprio nascimento e afirmação desta disciplina em Portugal, sendo o fundador da Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (APAI), uma instituição central na defesa, inventariação e salvaguarda do património fabril e técnico português.
Esteve diretamente ligado à génese e reorganização de importantes espaços museológicos nacionais que preservam a memória de trabalho, tais como o Museu dos Lanifícios da Covilhã, o Museu da Fábrica de Rolhas de Cortiça em Silves, o Museu do Ferro da região de Moncorvo, o Museu do Cimento na Maceira Liz, o Museu Municipal de Santarém e Núcleo Museológico do Tempo, o Museu da CIMPOR em Alhandra, o Museu do Carvão e das Minas do Pejão, o Museu de Albergaria a Velha, entre outros.
Dirigiu o projeto Municipal da Candidatura de Santarém a Património Mundial (1994-2002), o Convento de Cristo em Tomar (2002-2007) e o Museu Nacional Ferroviário (2009-2011).
Enquanto investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade NOVA de Lisboa, liderou projetos de referência sobre a arqueologia e a história industrial do País.
É coautor do catálogo e estudos do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior: Núcleo da Tinturaria da Real Fábrica de Panos, Covilhã, 1998, coordenado por Elisa Calado Pinheiro. Coordenou e foi o redator do processo de classificação da Fábrica António Estrella /Júlio Afonso (Monumento de Interesse Público) e autor do relatório destinado à classificação do Tinte da Travessa do Tinte (2024-2026).
O seu trabalho de décadas ajudou a transformar a perceção pública sobre antigas fábricas, minas e caminhos de ferro, demonstrando que o património industrial é uma herança histórica e cultural essencial para o futuro socioeconómico do País.