Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Assembleia Municipal do Fundão aprovou por unanimidade uma moção pela defesa e manutenção da agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Silvares, freguesia daquele concelho do distrito de Castelo Branco.
A Assembleia Municipal do Fundão aprovou por unanimidade uma moção pela defesa e manutenção da agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Silvares, freguesia daquele concelho do distrito de Castelo Branco.
A moção, que rejeita o encerramento “agora ou no futuro”, foi aprovada pouco depois de as portas daquele balcão terem, ao que tudo indica, sido encerradas de vez, isto caso os apelos públicos e a luta da população não venham a atingir o efeito desejado.
“Pela informação que me chega, já está encerrada. Dizem-nos que os funcionários vão ficar lá para ensinar os clientes a trabalharem com as máquinas”, lamentou Carlos Jerónimo, eleito municipal natural daquela freguesia.
Uma situação que é rejeitada por todos os partidos com assento na Assembleia Municipal (PSD, PS e CDU), que apresentaram de forma conjunta esta moção em que se recordam alguns dos principais argumentos pelos quais se apela que a decisão seja revertida.
Lembrando que este balcão tem uma abrangência “intermunicipal”, que abrange os concelhos do Fundão, Covilhã, Oleiros e Pampilhosa da Serra, e que este encerramento leva a que muitos dos clientes fiquem a mais de uma hora de distância da alternativa mais próxima, o documento também vinca o facto de estar em causa uma população maioritariamente idosa e com problemas de mobilidade.
O serviço que este balcão presta aos emigrantes daquela região e o que representa em termos de ligação à diáspora portuguesa ou a importância para a dinamização económica da região são aspetos igualmente lembrados.
Segundo é salientado, os indicadores conhecidos “apontam para uma agência dinâmica e com uma carteira de clientes e volume de negócio sustentável, contribuindo positivamente para os resultados do banco público” e esta agência está numa zona com forte preponderância nos setores como o agroflorestal, o setor social e o industrial, com especial relevo para o mineiro, já que é naquele território que estão as Minas da Panasqueira.
Entre os considerandos, sublinha-se que “a CGD não pode ignorar o estatuto de banco público, a sua missão e a necessidade de convergência com as políticas públicas nacionais e que as decisões do banco público devem fundar-se em critérios racionais, objetivos, universais e transparentes”.
“Devem ser prezadas as relações institucionais com as autarquias e os representantes das populações afetadas; devem ser atendidas as especificidades dos territórios de baixa densidade acautelando o princípio da equidade e questões como a inexistência de alternativas, o perfil demográfico dos territórios afetados ou o contexto socioeconómico; deve ser assegurada convergência com a estratégia nacional de coesão territorial e as políticas públicas de valorização do Interior”, é ainda referido.
Durante a sessão, os eleitos das diferentes forças partidárias também fizeram intervenções em que criticaram e mostraram oposição clara e inequívoca quanto a este encerramento que foi sendo classificado como “incompreensível”, injusto”, “politicamente incorreto”, “um ato de má gestão” e até como “uma forma de contribuir para o esvaziamento do Interior”.
A voz do presidente da Assembleia Municipal que foi administrador-geral da CGD entre outubro de 2004 e agosto de 2005, Vítor Martins, também se juntou ao apelo pela manutenção deste balcão: “o encerramento da agência de Silvares afigura-se-me, a mim, como um ato que é lesivo não apenas do interesse regional mas de todo o país”, afirmou.
“Acresce que em momento algum consegui vislumbrar qualquer fundamentação – económica ou financeira - que justifique esta medida”, acrescentou.
Além da referida moção, foram também aprovadas por unanimidade outras moções: uma moção contra a redução do horário de funcionamento da ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que está no Centro Hospitalar da Cova da Beira, uma moção de louvor ao jornalista e escritor Fernando Paulouro, que foi recentemente agraciado com o prémio Literário Eduardo Lourenço, e outra moção de louvor ao atleta Gabriel Macchi, que conquistou a medalha de prata da maratona de Londres.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet