Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Europa devia aliar forças com as agências de "rating" das economias emergentes para combater a influência das três grandes que servem os interesses dos EUA e que deveriam ser punidas, considera o presidente da chinesa Dagong.
A Europa devia aliar forças com as agências de "rating" das economias emergentes para combater a influência das três grandes que servem os interesses dos EUA e que deveriam ser punidas, considera o presidente da chinesa Dagong.
“As três principais agências de "rating" – Moody s, Fitch e Standard & Poor´s - têm monopolizado o mercado internacional, são muito influenciadas pelos políticos americanos e usadas como instrumento para proteger os interesses dos EUA e do seu Governo”, afirmou em entrevista à Agência Lusa o presidente da agência chinesa Dagong, Guan Jianzhong.
Ao salientar que aquelas agências “usam fatores ideológicos, subjetivos e a estratégia americana para medirem os riscos noutros países, o que não está certo”, o líder da Dagong sublinhou que “aquelas cometeram erros muito graves, ajudando a criar esta crise”.
“É um desastre financeiro sem precedentes na história e deveriam ter sido severamente punidas, mas ainda monopolizam o mercado”, observou.
O direito de emissão de moeda “é um critério absurdo” para se obter a nota AAA, considera Jianzhong, realçando que “isso significa que os EUA é o único país que pode beneficiar disso”.
“Imprimir um montante excessivo de dólares é no fundo transferir a sua dívida, desvalorizando-se o dólar. É como pilhar a propriedade de outros credores”, acrescentou.
Jianzhong considera que deve ser feita uma reflexão sobre o “porquê de o mundo ainda usar a informação daquelas agências e de estas liderarem o setor”, sugerindo como justificação o facto de o “Governo americano as apoiar e as pessoas não terem ainda aprendido as lições desta crise”.
Guan Jianzhong defende a criação de um “novo sistema de "rating", descartando-se o atual e estabelecendo-se novas agências que baseiem as suas análises em critérios uniformes”.
Ao realçar que, da “perspetiva da relação credor-devedor, o "rating" deverá ser fornecido pelos credores aos devedores”, o responsável observa que “a União Europeia é, de modo geral, uma economia devedora e se os devedores oferecem "rating" isso levanta questões sobre se poderá ser reconhecido pelos credores e pela comunidade internacional”.
Por isso, a “solução é introduzir (no mercado europeu) uma agência dos países emergentes ou a União Europeia unir-se às agências dessas economias, como a Dagong, para juntos pressionarem a criação de uma nova agência”, apontou.
O responsável avançou à Lusa que a Dagong “está a tentar conseguir a acreditação das autoridades para entrar no mercado europeu”, tendo já reunido “com alguns líderes” da Zona Euro, que “reagiram positivamente” a esta possibilidade.
Jianzhong garante que os "ratings" da Dagong - que opera desde 1994 e foi a primeira agência não ocidental a divulgar, em julho de 2010, um relatório global sobre risco da dívida soberana - “são totalmente independentes do Governo chinês”, salientando que os “investidores e o mercado podem ter a certeza disto”.
“Os nossos acionistas são duas empresas privadas, não têm nenhum negócio associado a este, o Governo não tem nem um cêntimo de ações e a nossa gestão não está envolvida em qualquer investimento em valores mobiliários e títulos, apenas na Dagong”, sediada em Pequim e que conta com mais de 500 funcionários, sustentou.
As restantes três principais agências de "rating" chinesas têm a francesa Fitch e as americanas Moody s e Standard & Poor s como parceiras de negócio, mas Guan Jianzhong afasta a possibilidade de entrada de capital estrangeiro: “Se precisarmos de mais investidores vamos tentar encontrá-los no mercado doméstico”, disse.
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