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Região 1 de junho de 2015

Oleiros: Confraria Gastronómica do Cabrito Estonado já foi constituída

Por: Diario Digital Castelo Branco

Foi este domingo, dia 31, constituída, em Oleiros, a Confraria Gastronómica do Cabrito Estonado. A cerimónia teve lugar numa tenda gigante, situada no centro da vila, iniciando-se com a escritura pública. O ato solene foi testemunhado pelo muito público presente que não quis deixar de marcar presença neste dia histórico para o concelho e as suas gentes. 

Foi este domingo, dia 31, constituída, em Oleiros, a Confraria Gastronómica do Cabrito Estonado.

A cerimónia teve lugar numa tenda gigante, situada no centro da vila, iniciando-se com a escritura pública. O ato solene foi testemunhado pelo muito público presente que não quis deixar de marcar presença neste dia histórico para o concelho e as suas gentes. Os catorze associados fundadores serão posteriormente, no I Capítulo desta Confraria, os seus digníssimos Confrades Fundadores.

Presente no evento esteve também o consagrado ator Ruy de Carvalho, o qual aceitou o convite endereçado pelo Município para se tornar Confrade de Honra desta Confraria.

Dos catorze associados que tomaram posse, pessoas com responsabilidades na divulgação desta causa pelo seu entusiasmo ou pela sua entrega à causa pública, dez deles são os representantes dos restaurantes que anualmente, por altura da Páscoa, aderem ao Festival Gastronómico do Cabrito Estonado e do Maranho. Têm tido um papel preponderante enquanto embaixadores desta causa e são eles os fiéis guardiães desta referência maior da matriz gastronómica Oleirense. A eles coube a missão de preservar saberes e defender sabores. Por esse motivo, a cada um o Presidente da Câmara Municipal de Oleiros, Fernando Jorge, entregou um diploma, assim como um avental que simbolicamente assinalará para sempre este acontecimento.

Durante o evento, todos os interessados em tornarem-se confrades efetivos desta Confraria, poderiam pré-inscrever-se no secretariado que existia no recinto para o efeito. Pretende-se que todos quantos queiram, possam fazer parte desta iniciativa que em tanto valorizará o Cabrito Estonado e a sua pátria: Oleiros.

 

As origens desta especialidade Oleirense…

Das origens deste delicioso repasto Oleirense ouvem-se muitas histórias que através de relatos e experiências vão sendo passadas de geração em geração:

·        A primeira referência surge-nos num livro de culinária do Al-andaluz medieval que fala de um borrego estonado com óleo;

·        Em 1624, o missionário Oleirense António de Andrade, o primeiro ocidental a escalar os Himalaias e a chegar ao Tibete, nos relatos da sua expedição e abordando os costumes daquelas gentes, realça o facto de não esfolarem os carneiros e cabras que comem, mas antes comerem-nas com a pele chamuscada, tal como em Oleiros.

·        Já no séc. XIX, Alexandre Dumas descreve, deliciado, a experiência de comer um borrego preparado à moda do deserto, na Tunísia, também assado com a pele.

·        Corria o ano de 1961, quando no Concurso Nacional de Cozinha e Doçaria Portuguesa, promovido pelo SNI e a RTP, Oleiros se fez representar com o Cabrito Estonado, tendo Aura Martins Romão obtido o primeiro prémio na categoria Cozinha.

·        No mesmo ano e na sequência deste concurso, Aura Romão participou no programa de culinária da RTP de Maria de Lourdes Modesto.

·        Em 1982, o Cabrito Estonado foi um dos pratos selecionados para integrar o livro desta célebre gastrónoma intitulado “Cozinha Tradicional Portuguesa” e um dos livros de culinária mais lido em Portugal.

·        Posteriormente, em 1997, os CTT produziram a coleção de 12 selos “Cozinha Tradicional Portuguesa”, constituída por pratos tradicionais provenientes das várias regiões. No caso da Beira Baixa, foi escolhido o Cabrito Estonado de Oleiros. Esta coleção deu origem ao livro “Comer em Português”, do Clube de Colecionadores, dos CTT, cuja autoria se deve a José Quitério e Homem Cardoso e no qual a especialidade oleirense é referida como um produto único e genuíno.

·        Em 2008, esta forma original de confecionar cabrito assado no forno integrou uma seleção de 10 bens gastronómicos portugueses que importava valorizar e preservar. Para o efeito, foi produzido o documentário “Os Gestos dos Sabores – das memórias ao futuro”, promovido pela Associação “As Idades dos Sabores”, onde é enaltecida a genialidade deste prato.

·        O ano de 2009 ficou marcado pelo arranque do Festival Gastronómico do Cabrito Estonado e do Maranho – evento anual que vai já na sua 7.ª edição e que conta com a adesão de 10 restaurantes participantes e motiva a vinda de milhares de pessoas a Oleiros. A iniciativa tem como principais objetivos:

        - promover dois produtos endógenos de grande qualidade,

        - dar maior visibilidade à fileira da caprinicultura,

        - dinamizar os fluxos de visita ao território;

        - coordenar uma oferta que se pretende regular,

        - manter elevados índices de qualidade oferecidos

·        No mesmo ano, no artigo do chef Avillez "Loucuras Milionárias de chefs e Clientes - As Maiores Extravagâncias Gourmet", publicado na revista Sábado de 26 de fevereiro, vêm em destaque os produtos mais exclusivos e as ementas mais caras, conhecidas no mundo gastronómico. Neste artigo, o chef Henrique Mouro relata que o prato mais impressionante pela sua confeção e resultado final, foi um Cabrito Estonado de Oleiros que era elaborado e servido no Domingo de Páscoa no Hotel Carlton Palace, em Lisboa.

·        Corria já o ano de 2011, quando o Cabrito Estonado de Oleiros foi candidatado às 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal, na categoria das carnes. Este concurso foi uma iniciativa do Ministério da Agricultura, da Secretaria de Estado do Turismo e da RTP.

·        Desde então, o Município de Oleiros tem realizado um trabalho exaustivo de pesquisa no âmbito da constituição da Confraria Gastronómica do Cabrito Estonado.

 

A procura por esta iguaria regista grande afluência de amantes da gastronomia vem frequentemente até ao território degustar in loco, na sua pátria de origem, esta especialidade. A autenticidade da tradição, assim como um saber fazer genuíno, são argumentos que fazem de Oleiros um destino gastronómico com identidade própria.

 

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