Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Pela arquitetura, o edifício de vidro e aço ocupado pelo Departamento Internacional do Partido Comunista Chinês é idêntico às sedes dos bancos construídas na última década ao longo da Avenida Fuxingmen, na zona ocidental de Pequim.
Pela arquitetura, o edifício de vidro e aço ocupado pelo Departamento Internacional do Partido Comunista Chinês é idêntico às sedes dos bancos construídas na última década ao longo da Avenida Fuxingmen, na zona ocidental de Pequim.
As palavras de ordem gravadas em inglês no hall, entre paredes de mármore e candeeiros dourados, podem ser adotadas por qualquer multinacional (“Paz, Progresso, Desenvolvimento, Cooperação, Lealdade, Dedicação, Procura da Verdade, Inovação”) e a foice e martelo, um dos símbolos do movimento comunista mundial, está ausente da decoração.
“De partido revolucionário, o PCC transformou-se em partido dirigente de um processo de modernização”, diz o vice-diretor do Departamento Internacional, Ai Ping, um quadro de 58 anos que os seus funcionários tratam por “vice-ministro”.
Questionado sobre os guerrilheiros da Índia e do Nepal que continuam a identificar-se como “maoistas”, Ai Ping é ainda mais explícito: “Não temos relações com partidos políticos ilegais, nem apoiamos o uso da violência para derrubar governos legítimos”.
Pelo contrário. Segundo Ai Ping, o PCC “tem hoje relações com mais de 600 partidos de mais de 160 países” e, ao contrário do que acontecia na década de 1960, quando Pequim encorajava os comunistas do mundo inteiro a romper com os “revisionistas” de Moscovo, os comunistas chineses pretendem agora “transcender as diferenças ideológicas”.
“Temos relações com partidos comunistas e socialistas, mas também com partidos conservadores, como a CDU alemã (o partido democrata-cristão, da chanceler Ângela Merkel)”, precisou o porta-voz do Departamento Internacional do PCC, Huang Hua Guang.
A “transformação” coincide com a acelerada conversão da China à economia de mercado, iniciada após a morte do “Grande timoneiro da revolução chinesa e do proletariado internacional”, Mao Zedong (1893-1976).
“A China já não exporta a Revolução”, garante Ai Ping.
Maior organização política do mundo, com mais de 80 milhões de filiados, o PCC celebra no próximo dia 01 de julho o 90º aniversário da sua fundação.
“Antes, o PCC era a vanguarda do proletariado, hoje dirige a nação”, salienta também Ai Ping.
É dos raros partidos comunistas que se mantêm no poder, há 62 anos, e dirige a segunda maior economia do mundo.
O colapso dos partidos comunistas na antiga União Soviética e na Europa de leste não parece preocupar o vice-ministro do Departamento Internacional do PCC: “O que estamos a fazer é a modernização da sociedade e do sistema socialista”, diz apenas Ai Ping quando lhe perguntam se ainda acredita no futuro do comunismo.
A revolução passou à história e os antigos museus da História e da Revolução, construídos na década de 1950 na Praça Tiananmen, fundiram-se, entretanto, numa instituição com um nome mais apropriado à nova era: Museu Nacional da China.
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