Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O Sindicato da Indústria Mineira reafirma que a greve de 48 horas nas Minas da Panasqueira, Covilhã, teve uma adesão que "ultrapassou os 90% nos turnos do dia", ao contrário do que a empresa refere em comunicado.
O Sindicato da Indústria Mineira reafirma que a greve de 48 horas nas Minas da Panasqueira, Covilhã, teve uma adesão que "ultrapassou os 90% nos turnos do dia", ao contrário do que a empresa refere em comunicado.
Luís Paulo Mendes, dirigente sindical, garantiu que os números da concessionária daquela exploração de volfrâmio "não correspondem à verdade" e que apenas pretendem "denegrir a imagem do sindicato".
"Querem colocar os trabalhadores contra o sindicato com o objetivo de que estes aceitem as condições que lhes impõem", sublinhou.
A greve de 48 horas nas Minas da Panasqueira iniciou-se às 23:00 de quarta-feira e prolongou-se até às 23:00 de hoje e teve como objetivo reivindicar aumentos de salários e mostrar a oposição à proposta de alteração do horário de trabalho.
O sindicato garante que nos dois dias, nos turnos da noite, a greve atingiu os 70% e que, nos dois turnos diários, os quais envolvem a maioria dos trabalhadores, ultrapassou os 90 por cento.
Em comunicado emitido hoje, a Sojitz Beralt Tin sublinha que a adesão registou "uma fraca adesão" e apresenta os números relativos ao terceiro turno de quarta-feira (34,78%) e ao primeiro turno de quinta-feira (27,03%): "No total dos dois turnos a adesão foi de 27,76%", refere o documento.
A empresa confirma que pretende "alterar os turnos de trabalho da mina das oito horas para as dez horas", mas garante que todas as normas serão cumpridas, designadamente o respeito "pelo período diário necessário para a ventilação da mina após disparos".
A Sojitz Beralt Tin frisa ainda que é necessário "alterar significativamente a forma como a mina trabalha" e que "de outro modo a viabilidade da empresa no curto prazo não é exequível".
Acrescenta ainda que "para facilitar a adoção desta solução" propôs ao sindicato "um aumento do salário base de 05 por cento".
Por seu turno, o sindicato garante que a empresa tem "todas as condições" para fazer aos aumentos salariais e sublinha que "não existiu qualquer negociação" porque esta foi condicionada à aceitação da alteração do horário de trabalho, a qual foi recusada pelos mineiros.
No caderno reivindicativo, o sindicato propõe um aumento salarial de 55 euros ao ordenado base, reivindicação que manterá na nova ronda negocial que está marcada para dia 10 de abril no Porto.
Para o dia seguinte, 11 de abril, o sindicato vai marcar um novo plenário de trabalhadores para lhes transmitir as conclusões, e, caso as negociações tenham sido infrutíferas, marcar novas formas de luta.