Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O termómetro marcava hoje 15 graus e o GPS cerca de 400 quilómetros, que a agência Lusa decidiu percorrer a partir de Tóquio para chegar à província de Miyagi, no nordeste do Japão.
A mala de uma carrinha alugada estava cheia com roupas quentes, água e outros mantimentos suficientes para alguns dias, além de máscaras, capacetes de proteção e botas para garantir a segurança nas áreas devastadas por aquele que foi o maior tremor de terra sentido no Japão e que “enfureceu” o mar.
A corrida dos japoneses aos postos de abastecimento, em busca sobretudo de gasolina, encerrou muitas bombas. As que se encontram ainda abertas abastecem mais facilmente os veículos movidos a gasóleo, enquanto que os restantes formam filas de trânsito por mais de dois quilómetros.
O cansaço exigiu uma paragem durante a noite, mas ainda antes do amanhecer, quando o relógio marcava as 05:00 locais (20:00 em Lisboa), o carro onde segue a Lusa regressou à estrada.
A autoestrada que liga o norte ao sul do Japão mantém-se cortada e os serviços de comboios suspensos, o que faz com que as estradas secundárias sejam a única opção terrestre para se chegar à região de Miyagi, aumentando o tempo de viagem por terra das habituais quatro horas para cerca de doze.
Em vez do carro, há quem prefira a moto, como fizeram dois repórteres da agência de notícias alemã que a Lusa encontrou no caminho para a cidade de Sendai.
Apenas os órgãos de comunicação social japoneses têm cumprido a mesma viagem pelo ar, de helicóptero, reduzindo o tempo do percurso para cerca de duas horas, a opção, de longe, mais dispendiosa.
Pelo caminho, a Lusa constatou que o sentido inverso da estrada tinha um movimento mais intenso, com muitos japoneses a dirigir-se para sul, talvez porque os acessos estão agora mais facilitados, ao mesmo tempo que decorria a manutenção de algumas vias e viadutos.
À medida que a Lusa se aproximava de Sendai, eram cada vez mais os estabelecimentos comerciais encerrados e a concentração de japoneses à porta das lojas e bombas de gasolina cada vez maior.
Mas os primeiros sinais de destruição provocada pelo sismo só começam a ser visíveis na província de Fukushima, designadamente alguns telhados partidos e deslizamentos de terras. O cenário é bem diferente quando se chega à província de Miyagi, a mais afetada.
A zona costeira de Sendai foi varrida por uma onda de dez metros de altura, mas no centro não há sinais de destruição, já que não foi atingido pelo tsunami.
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