Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O empresário português, apenas identificado como Paulo, 38 anos, foi morto a tiro por um grupo de encapuzados na discoteca Pagode, em Pierrelaye, na periferia norte de Paris, segundo confirmaram à Agência Lusa outros empresários e amigos da vítima.
“A minha primeira reação foi pensar num assalto por alguém que queria ir buscar a receita (do fim-de-semana) e que sabia que o Paulo ia estar a fazer a contabilidade, pois o crime aconteceu cerca das 20:00 na segunda-feira”, contou à Lusa Pedro Raquel, um dos sócios da discoteca Costa do Sol e do Mikado, dois dos estabelecimentos noturnos mais conhecidos entre a comunidade portuguesa de Paris.
No entanto, “ao que parece tratou-se de uma vingança. Por enquanto não se sabe é dizer vingança de quê ou de quem”, acrescentou Pedro Raquel.
“Neste meio em que lidamos, arranjamos sempre inimigos, porque na atividade da noite encontra-se sempre pessoas mais esquisitas do que advogados ou contabilistas”, comentou também o conhecido empresário português.
Segundo o jornal Le Parisien, que noticia hoje o crime, Paulo encontrava-se no interior da discoteca com um empregado, de 43 anos, que foi também atingido e que ficou gravemente ferido. A Pagode estava encerrada nessa noite mas os dois homens ocupavam-se da contabilidade da firma.
O empresário português “foi morto à queima-roupa com uma bala na cabeça no parque de estacionamento da discoteca”, depois de ter percebido a presença de estranhos através do sistema interno de câmaras de segurança, segundo o jornal parisiense.
O empresário Dominique Lacerda, sócio de vários estabelecimentos na região parisiense e antigo patrão de Paulo, recorda que o dono da Pagode “fazia um trabalho interessante no panorama da noite” e que era uma figura conhecida da vida noturna da comunidade portuguesa na região de Paris.
Paulo, nascido em Portugal “e emigrado há muitos anos em França, deixa viúva e filhos”, segundo um amigo próximo contactado pela Lusa e que não quis prestar outras declarações “até a polícia apurar o que se passou”.
Paulo abriu a discoteca Pagode em 2006, depois de ter cedido um outro estabelecimento noturno, a Ibiza, recordou Dominique Lacerda. Posteriormente, o empresário português juntou um espaço “afro” contíguo à discoteca Pagode, formando uma grande superfície que recebia centenas de pessoas nas noites de fim de semana.
Pedro Raquel, que conhecia Paulo de muitas festas e viagens em comum em França e em Portugal, recorda “um homem com uma grande alma, muito ligado a Portugal e às suas raízes”.
O corpo do empresário português será autopsiado na sexta-feira.
Entre os empresários da noite "portuguesa" de Paris, o assassínio "brutal" de Paulo "já não é o primeiro do género". Há cerca de cinco anos, recordaram à Lusa, o patrão de várias casas africanas, de nome Stèphane, foi vítima de um ataque a tiro.
"Não morreu, mas ficou para o resto da vida numa cadeira de rodas", contou um dos empresários à Lusa.
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