Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A Câmara de Belmonte promove este sábado uma caminhada de protesto para reivindicar a conclusão das obras e a reabertura da Linha da Beira Baixa no troço até à Guarda.
A Câmara de Belmonte promove este sábado uma caminhada de protesto para reivindicar a conclusão das obras e a reabertura da Linha da Beira Baixa no troço até à Guarda.
A iniciativa está marcada para as 18:00, com concentração no castelo e contará com o “apoio logístico” do comboio turístico de Belmonte, revelou à agência Lusa o presidente da Câmara local, Amândio Melo.
“Vamos para a estação de comboio. Fazemos a pé e pela linha o percurso até ao apeadeiro. Depois voltamos de comboio. Não temos um que nos leve para norte ou para sul, para a frente ou para trás, mas teremos este que mostra o ridículo da questão”, afirmou.
O autarca espera que a presença simbólica do veículo motorizado “ajude os governantes a perceberam que é imperioso que os comboios regressem” aos carris.
O troço Covilhã/Guarda está encerrado desde fevereiro de 2009, altura em que foram iniciados os trabalhos de beneficiação e eletrificação da Linha.
As obras começaram a meio do percurso, exatamente na zona de Belmonte, mas foram suspensas, depois de terem sido concretizados 11 quilómetros e investidos 7,5 milhões de euros.
“É o resultado de políticas erradas, de desgoverno, da má vontade ou então da falta de visão de quem governa”, afirmou Amândio Melo.
O autarca considerou que a interrupção “sine die” é um “retrocesso inexplicável” para o desenvolvimento da região e classifica-a como “abandono” e “o enterro do Interior”.
“Estão mais do que a isolar-nos. Estão a enterrar-nos. São os nossos coveiros. Deixaram à sua sorte quem cá vive. Assim não é possível sobreviver. Também somos portugueses, mas estamos aqui sem acessibilidades. A Scut [A23] foi portajada e os comboios não circulam. Nada disto é aceitável”, afirmou.
Amândio Melo sublinhou que o investimento para a conclusão das obras “ não é significativo” se comparado com o que já se fez: troço da Covilhã/Lisboa, que foi totalmente eletrificado.
Alertou que “a linha está a degradar-se” e que “o mato e as silvas já tomaram conta até do que foi requalificado”.
A argumentação do presidente centra-se ainda na “importância secular” que a linha tem, não só a nível regional, como nacional e internacional.
“Quem vem de França e Espanha entra por Vilar Formoso e depois vai para Coimbra para ir para Lisboa. Podia ir diretamente por aqui”, defendeu.
A questão das alternativas também não é esquecida: “Se houver um acidente na Linha da Beira Alta não há qualquer percurso férreo que substitua esta importante ligação à Europa”.
Em maio, na Covilhã, realizou-se uma iniciativa semelhante.
Na altura, em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, fonte do Ministério da Economia, do qual depende a Secretaria de Estado dos Transportes, referiu que a REFER deverá concluir as obras de renovação “em momento oportuno e assim que assegurado o necessário financiamento”.
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