Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Luísa Ribeiro, professora consultiva para o sucesso dos alunos portugueses em Lambeth, deixou na terça-feira as funções que desempenhou nos últimos quatro anos.
De acordo com um porta-voz do conselho municipal de Lambeth, este é o resultado das medidas de austeridade do Governo britânico, que não renovou algumas das bolsas de financiamento às autarquias.
“Não depende de indivíduos, mas de dinheiro”, afirmou à Agência Lusa, dando conta de “decisões difíceis” que foram tomadas no departamento de educação.
A dispensa de Luísa Ribeiro acontece apenas meses depois de um relatório interno do Departamento de Serviços às Crianças e Jovens daquele município, a que a Lusa teve acesso, tecer elogios à docente.
“O trabalho dela é altamente considerado”, lê-se, lembrando que os alunos com o português como língua materna têm ainda resultados abaixo da média.
Todavia, salienta-se, o seu posto é financiado por uma das bolsas de apoio à educação eliminadas no âmbito dos planos do governo britânico para reduzir o défice, razão para não manter a funcionária.
Luísa Ribeiro tinha sido promovida durante o verão e era agora responsável pelo apoio a outras línguas estrangeiras.
Foi também distinguida no início de novembro com o prémio Threlford Memorial cup, atribuído pelo Instituto de Linguistas.
O júri aplaudiu o projeto “inovador e dinâmico” da professora consultiva em Lambeth, reconhecendo o “potencial em elevar o sucesso educativo através do estudo das línguas mãe ao ensinar português às crianças de famílias de língua portuguesa bem como promovendo os benefícios do estudo de uma língua estrangeira através da restante comunidade escolar”.
Durante os quatro anos em funções, Luísa Ribeiro criou prémios para recompensar alunos de origem portuguesa pelo mérito escolar ou comportamento, de forma a estimular a confiança deles e dos pais.
Ajudou também na abertura de uma ala de livros de língua portuguesa numa das bibliotecas municipais e lançou um disco e livro com pautas de músicas cantadas por alunos nas ruas de Londres.
Ao nível das estatísticas, estas mostram que os resultados dos alunos de expressão portuguesa foram os que registaram maior progresso nos últimos anos nos diferentes níveis de ensino.
Entre 2003 e 2009, o desempenho dos alunos portugueses com idades entre os cinco e sete anos melhorou 14 por cento, enquanto a taxa de sucesso daqueles com idades entre os sete e onze anos melhorou 17 por cento.
As maiores subidas foram as dos jovens mais velhos, com idades entre os 11 e 14 anos, cujo desempenho melhorou no mesmo período 29 por cento, e aqueles com 14 e 16 anos, cujas notas nos exames nacionais melhoraram 44 por cento.
Lambeth é o município londrino onde se concentra a comunidade lusófona de Londres, estimada em cerca de 50 mil pessoas, perto de um quinto da população total naquela autarquia.
O número de alunos cuja língua materna é a portuguesa mais do que quintuplicou em menos de duas décadas, de 377 em 1992, para 2203 em 2009, e 14 escolas têm mais de 50 alunos lusófonos.
“O apoio aos grupos específicos continua a ser uma prioridade”, prometeu o porta-voz do conselho municipal de Lambeth.
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