Empresário albicastrense com ligações "perigosas" nos Azeites e na SAD do Beira-Mar Clube

António Realinho, o conhecido empresário e Ex-Diretor Executivo da Associação para Desenvolvimento da Raia Centro (ADRACES) que se encontra a cumprir pena de quatro anos e meio de prisão, por burla e falsificação, atualmente em liberdade condicional, teve “séria” ligação ao mundo das candidaturas a projetos comunitários e dos negócios dos azeites e do futebol. 

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  • Publicado: 2021-01-17
  • Autor: José António Baleiras

A condenação de Realinho remonta a 18 Novembro de 2016 tendo sido também condenados o seu sócio e empresário de Proença-a-Nova, Fernando Miguel Lopes Pereira, e o Advogado, João Álvaro Dias, natural de Mêda, que faleceu em 2018 no dia de natal.

Sócio do Ex-autarca de Trancoso, Júlio Sarmento, acusado de corrupção,  os dois estiveram décadas à frente de associações de desenvolvimento regional criadas por autarquias dos distritos da Guarda e Castelo Branco para gerirem programas de fundos comunitários da União Europeia (UE) .

Foi também o sócio de Realinho, Júlio Sarmento, que “deu a mão” ao reputado Professor de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Álvaro Dias, em 2006, após ter sido suspenso em 2005 por esta Faculdade, investindo-o como seu Chefe de Gabinete na autarquia de Trancoso. 

Segundo é do conhecimento público, João Álvaro Dias, foi, condenado, conjuntamente, com António Realinho e Fernando Miguel Lopes Pereira na mesma burla e falsificação em 2016.

O Diário Digital Castelo Branco sabe de fonte segura que, António Realinho, é pretensamente sócio do ex-autarca de Trancoso e fornecedor de serviços da autarquia de Trancoso que teve como chefe de gabinete, o falecido João Álvaro Dias, que foi co-autor dos crimes de burla e falsificação que os conduziram à pena de prisão efetiva.

Realinho foi, então, Diretor Executivo da ADRACES e possui, ainda, a empresa AJNR Consultores, que se dedica à atividade de consultadoria de projetos, nomeadamente de projetos candidatos a fundos Europeus, sendo também ainda ex-administrador da empresa de azeites, Penazeites, com sede em Penamacor, onde foi sócio e gerente até em 2007, a família Ferreira instalada no Fundão, com a empresa F. Ferreira Gonçalves, Lda.

Realinho foi até à sua condenação Diretor Executivo da ADRACES, entidade responsável pela gestão do PRODER, e que recentemente viu o seu nome envolvido na atribuição de um alegado apoio de 276 mil euros de fundos comunitários, recebidos de forma, alegadamente ilegal, o que configuraria, a provar-se um crime de fraude, à empresa da deputada do Partido Socialista (PS), Hortense Martins, conjugue do Ex-Autarca albicastrense também socialista, Luís Correia.

Hortense Martins, face ao denunciado, faz acordo com o MP a 19 Julho 2020 sendo decisão do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) de Coimbra, a condenação com o pagamento de €1.000,00. 

Foi pela ADRACES que inúmeras candidaturas a lagares de azeite foram aprovadas, enquanto Realinho era o seu Director Executivo e Sócio Gerente da AJNR Consultores.

Segundo informação a que o Diário Digital Castelo Branco teve acesso de fonte segura, a este particular do mundo dos azeites,  é António Realinho quem representava e intermediava a comercialização de máquinas para a indústria do azeite da marca Pieralisi em Portugal.

Pelo que se sabe, o Ex-diretor e empresário tinha de facto esse conhecimento e proximidade a esta actividade comercial. 

Realinho foi, também, Presidente da SAD do Beira Mar e, como refere esta noticia do SapoDesporto https://desporto.sapo.pt/futebol/segunda-liga/artigos/antonio-realinho-e-o-novo-presidente-da-sad-do-beira-mar,  é Realinho o mais alto e signatário representante da Marca Pieralisi em Portugal. 

Durante a sua Presidência e na qualidade de representante da Pieralisi Portugal, em 2013, Realinho tem como vice-presidente, Omar Scafuro,  o ex-presidente da SAD do Beira Mar.

 Omar Scafuro que vendeu os direitos televisivos do Beira-mar à Pieralisi de Realinho, como refere a noticia, e que em 2019 foi condenado judicialmente.

O tribunal de Aveiro deu como provado que Omar Scafuro praticou atos concretos de diminuição do património da sociedade, por ter cedido em 2014 os direitos televisivos no valor de 175 mil euros à empresa Pieralisi, violando as regras de preservação do património da devedora.

O Diário Digital Castelo Branco sabe que em 2020, o ex-presidente da SAD do Beira Mar e Ex-Administrador da Pieralisi Espanha, Omar Scafuro, que está preso em Saragoça, está a ser julgado por fraude em Espanha por desvio de fundos, €520.000,00, para aquisição do Beira-Mar em 2013, onde são pedidos 2 a 6 anos de prisão.
O Italiano Omar Scafuro, que em 2019 foi acusado de dolo na insolvência do Beira-Mar, está a ser julgado agora em Espanha por desvio de dinheiro da empresa Pieralisi, onde era Administrador, para a compra do clube Aveirense, em 2013, ano em que Realinho foi Administrador da SAD do Beira Mar e no ano em que, simultaneamente, Realinho representava em Portugal a referida marca de maquinas para a industria do azeite, Pieralisi, tendo Omar Scafuro como seu vice-presidente na SAD do Beira Mar e, à data, Administrador da Pieralisi Espanha. 

E, assim, o futebol e os negócios escorregam no azeite de António Realinho.

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