Região

Fundão: Fundatex - Regresso ao trabalho marcado para hoje deixa 64 sem emprego

Diario Digital Castelo Branco/Lusa | 2013-04-08 10:40:00

As 64 trabalhadoras das confeções Fundatex, na zona industrial do Fundão, encontraram hoje a fábrica fechada, sem qualquer explicação da administração do grupo Torre, que não pagou o vencimento de março.

O grupo Torre, com sede em Belmonte, produz fardamentos desde 1995, sob a designação Torfal, para empresas do Estado e outras: TAP, CP, Carris e Galp Energia estão na lista de clientes disponível na Internet, para além do mercado de exportação.

Na linha de fabrico da Fundatex estavam hoje de manhã penduradas centenas de calças de fardas da Força Aérea Portuguesa que ficaram por terminar, explicaram as trabalhadoras.

Segundo relatam, estiveram a laborar até dia 28 de março, altura em que entraram de férias a pedido da administração.

O regresso ao trabalho estava marcado para hoje.

No entanto, a meio do período de férias, uma outra empresa do grupo Torre e outros credores pediram a insolvência da Fundatex, que foi decretada no Tribunal do Fundão na quarta-feira da última semana.

O aviso foi afixado no portão da fábrica, mas às trabalhadoras nada foi dito.

Hoje, já contactaram a administração, mas da sede só obtiveram a resposta de que o grupo Torre "já nada tem a ver com a Fundatex", referiu a delegada sindical Paula Reis.

"Vamos exigir os nossos direitos, falar com o administrador judicial da empresa, saber o que vai fazer" e pedir o acesso, o mais rápido possível, "ao fundo de desemprego", acrescentou.

A atitude do grupo Torre é alvo de todas as críticas.

"O que mais me revolta e indigna é saber que trabalhei aqui 20 anos: todas as trabalhadoras da Fundatex davam o melhor e despejaram-nos como lixo", referiu Paula Reis.

Esta manhã, à porta da fábrica, algumas trabalhadoras choravam por não saberem como vão suportar o agregado familiar.

"Eu tenho o meu marido no desemprego, os filhos na escola, não tenho dívidas, mas tenho faturas para pagar e contava com o ordenado para sobreviver", referiu Maria da Conceição Fernandes, que tal como as colegas vai permanecer à porta da empresa.

"Eu não tenho nada que me diga que estou despedida. Estou a cumprir o horário de trabalho e a ideia é permanecer aqui até que alguém nos diga que estamos despedidas", acrescentou.

Ao lado, Paula Diamantino sintetizou: "estamos todas no mesmo barco".

As trabalhadoras acusam a administração de retirar máquinas e de desviar a produção para outras fábricas, sem dar explicações.

Maria da Conceição Fernandes conta que ensinou uma operária de outra empresa a fazer os coletes que produzia na Fundatex, a pedido da chefia, "sem saber quem ela era: pensava que era uma engenheira da Torre".

Só final suspeitou que "estavam a tirar o trabalho dali", quando a trabalhadora visitante pediu à chefe para levar a peça para outra fábrica.

Apesar das tentativas efetuadas pela agência Lusa desde sexta-feira, ninguém do grupo Torre se mostrou disponível para prestar esclarecimentos sobre a situação.


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