Durão Barroso nega cedência a “pressões xenófobas” com reforma de Schengen

O presidente da Comissão Europeia negou hoje, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que o executivo comunitário tenha cedido a “pressões xenófobas e populistas” de Itália e França na proposta de reforma do espaço Schengen.

  • Europa
  • Publicado: 2011-05-10 22:26:55

O presidente da Comissão Europeia negou hoje, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que o executivo comunitário tenha cedido a “pressões xenófobas e populistas” de Itália e França na proposta de reforma do espaço Schengen.

José Manuel Durão Barroso defendeu diante dos eurodeputados a iniciativa da Comissão Europeia sobre um mecanismo que permita aos Estados-membros reintroduzirem temporariamente controlos nas fronteiras internas do espaço Schengen, uma proposta promovida pelos líderes italiano e francês, Silvio Berlusconi e Nicolas Sarkozy, respetivamente.

“A nossa proposta não pretende desgastar a livre circulação, mas sim fortalecê-la”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, garantindo ainda, em resposta às críticas de obediência cega aos propósitos de Paris e Roma, que o executivo comunitário “não está a ceder” a pressões xenófobas e populistas.

“Sei que está na moda agitar a bandeira dos extremismos, mas nós não caímos perante essas pressões”, frisou Durão Barroso.

Segundo Durão Barroso, a reforma proposta pela Comissão Europeia irá permitir uma melhor livre circulação, após uma clarificação das normas de confiança do tratado.

“Temos que dar confiança aos cidadãos que vamos corrigir as falhas do atual sistema”, acrescentou o responsável.

Paris e Roma querem que o princípio de livre circulação nos países que integram o espaço Schengen seja restrito de maneira a que, antes da chegada maciça de imigrantes, cada Estado possa restabelecer as fronteiras internas.

Alguns milhares de imigrantes clandestinos tunisinos, à procura de trabalho na Europa, e de refugiados do conflito armado na Líbia chegaram nos últimos meses à pequena ilha italiana de Lampedusa.

O espaço Schengen integra 25 países, permitindo a cerca de 400 milhões de pessoas circular livremente da Finlândia à Grécia, de Portugal à Polónia, sem terem de mostrar o passaporte.

Apenas o Reino Unido e a Irlanda, países insulares, decidiram manter-se fora do espaço Schengen, que inclui em contrapartida três países não membros da União Europeia (UE): Suíça, Noruega e Islândia.